Coragem Líquida

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Sempre que abro a guia para escrever um texto novo sinto que estou cheia de certezas do que quero falar. Sei exatamente as piadinhas sem graça que vou colocar no meio de uma ou outra frase melancólica. Faço uma lista mental com o que quero falar e quem eu quero que sinta.

E é só eu clicar em “escrever novo post” que tudo se apaga. Meu coração bate forte e minhas mãos paralisam. Só ouço o som do meu bocejo entre os acordes calmos das músicas que estão tocando no Spotify agora.

Esse final de semana eu comecei uma série nova. Ou talvez tenha sido no meio da semana. Não lembro. Estou cinquenta por cento de férias agora. O mínimo que se espera é que eu confunda os dias da semana, não?

Meu chefe diz que eu tenho déficit de atenção, então vou tentar focar no assunto inicial do último parágrafo. E vamos fingir que eu não precisei ler tudo de novo depois de pesquisar como que escreve a palavra “déficit”.

Comecei a assistir Gypsy. Já acabei, aliás. O ponto é que em algum dos episódios Jean fala algo sobre coragem líquida e eu escolhi ignorar. Pensei que fosse alguma relação contemporânea com o amor líquido de Baumann. Depois que terminei esta série fiquei determinada a acabar a última temporada de Orange is the New Black. E então, novamente, algum personagem fala sobre coragem líquida.

Tio Google me ajudou.

E citando meu professor, o álcool é um lubrificante social. Com ele, nós falamos e fazemos coisas que o receio da sobridez não permitiria. Nós nos sentimos livres para fazer o que temos vontade e julgamos ser correto. É isso o que fala o conceito de “coragem líquida”.

A partir dai algumas coisas ficaram mais claras para mim. E posso afirmar que se a tequila existe, é graças a deus que ela existe.

Depois de cinco minutos pensando eu prometi pra mim mesma que não terminaria este texto com a última afirmação. Eu deveria falar mais. Escrever mais.

Quando as pessoas dizem que leram meus textos, infelizmente não estou sob o efeito de qualquer coisa líquida que pudesse me dar coragem. Tenho o instinto de me esconder, dizer que não quero ouvir e o meu rosto fica automaticamente vermelho. Sei que tenho que trabalhar com isso.

Ao mesmo tempo que fiquei nervosa ontem quando você disse que leu meus textos, eu me senti mais leve. Você viu um pouco de mim que eu não tenho coragem de falar. Você leu as minhas linhas e espero que tenha ficado ansiosa para descobrir o que tem no meio delas. E eu espero um dia conseguir ler as suas.

O que eu escrevo pode até não ser cem por cento relacionado comigo o tempo todo. Algumas partes posso fantasiar e complementar o drama da vida com apenas algumas palavras. E essa é a melhor parte. Quando sinto que tem um texto na ponta dos dedos preparado para sair, é como se uma onda forte de coragem tomasse conta do meu corpo.

Queria que a coragem líquida vivesse nas minhas veias. Não a tequila, ou a Polar. Nem vinho. Só algo que sobreponha o medo, as angustias e a insegurança. Principalmente a insegurança. Em todos os aspectos e em toda a minha existência.

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