Desabafo

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Te vejo me olhando de canto de olho e passam mil coisas pela minha cabeça sobre o que poderia estar passando pela tua.

Porque precisa fazer tanto mistério? Porque esse silêncio? Essa calitude só me faz pensar em insignificância. Que sou só uma distração nesse fim de relacionamento.

Quando descobriram sobre aquela festa, logo vieram me alertar. Sem julgamentos, falaram para que eu tomasse cuidado e abrisse os olhos pro tipo de cara que você é. Em primeiro momento ignorei, criei teorias para concluir que aquelas pessoas tinham argumentos falaciosos. Mas agora penso o contrário.

Porque procura a minha mão se não consegue olhar nos meus olhos? Porque pede o meu beijo se não se preocupa se vai tudo bem por aqui?

Pra mim é fácil imaginar as respostas. Queria que você se preocupasse com isso também.

Me diz que é só nervosismo ou timidez. Ou me diz que não passa de atração física, sem sentimentos e apego. Mas por favor, fala.

Se me perguntar, eu falo. Digo o que eu realmente sinto e no que acredito. Respondo cada dúvida e crio outras só pra continuar falando. Esses jogos não fazem mais parte de mim, eu quero falar o que for necessário para que entenda o que se passa por aqui. Sem desentendimentos, eu não quero um relacionamento. Longe de mim agora.

Esse texto foi escrito em alguma noite gelada de maio. As vezes a gente precisa de um tempo até se sentir preparado para postar alguma coisa. Eu não me importo mais com essas perguntas que fiz aqui. Não imagino mais respostas e nem quero saber quais seriam. Estes meses que se passaram foram ótimos para mim. Filtrei o que realmente importa e quem realmente vale a pena. Continuo filtrando, inclusive. As coisas finalmente estão bem por aqui. Não sei por quanto tempo, mas eu conto tudo por aqui. Ou partes.
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Coragem Líquida

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Sempre que abro a guia para escrever um texto novo sinto que estou cheia de certezas do que quero falar. Sei exatamente as piadinhas sem graça que vou colocar no meio de uma ou outra frase melancólica. Faço uma lista mental com o que quero falar e quem eu quero que sinta.

E é só eu clicar em “escrever novo post” que tudo se apaga. Meu coração bate forte e minhas mãos paralisam. Só ouço o som do meu bocejo entre os acordes calmos das músicas que estão tocando no Spotify agora.

Esse final de semana eu comecei uma série nova. Ou talvez tenha sido no meio da semana. Não lembro. Estou cinquenta por cento de férias agora. O mínimo que se espera é que eu confunda os dias da semana, não?

Meu chefe diz que eu tenho déficit de atenção, então vou tentar focar no assunto inicial do último parágrafo. E vamos fingir que eu não precisei ler tudo de novo depois de pesquisar como que escreve a palavra “déficit”.

Comecei a assistir Gypsy. Já acabei, aliás. O ponto é que em algum dos episódios Jean fala algo sobre coragem líquida e eu escolhi ignorar. Pensei que fosse alguma relação contemporânea com o amor líquido de Baumann. Depois que terminei esta série fiquei determinada a acabar a última temporada de Orange is the New Black. E então, novamente, algum personagem fala sobre coragem líquida.

Tio Google me ajudou.

E citando meu professor, o álcool é um lubrificante social. Com ele, nós falamos e fazemos coisas que o receio da sobridez não permitiria. Nós nos sentimos livres para fazer o que temos vontade e julgamos ser correto. É isso o que fala o conceito de “coragem líquida”.

A partir dai algumas coisas ficaram mais claras para mim. E posso afirmar que se a tequila existe, é graças a deus que ela existe.

Depois de cinco minutos pensando eu prometi pra mim mesma que não terminaria este texto com a última afirmação. Eu deveria falar mais. Escrever mais.

Quando as pessoas dizem que leram meus textos, infelizmente não estou sob o efeito de qualquer coisa líquida que pudesse me dar coragem. Tenho o instinto de me esconder, dizer que não quero ouvir e o meu rosto fica automaticamente vermelho. Sei que tenho que trabalhar com isso.

Ao mesmo tempo que fiquei nervosa ontem quando você disse que leu meus textos, eu me senti mais leve. Você viu um pouco de mim que eu não tenho coragem de falar. Você leu as minhas linhas e espero que tenha ficado ansiosa para descobrir o que tem no meio delas. E eu espero um dia conseguir ler as suas.

O que eu escrevo pode até não ser cem por cento relacionado comigo o tempo todo. Algumas partes posso fantasiar e complementar o drama da vida com apenas algumas palavras. E essa é a melhor parte. Quando sinto que tem um texto na ponta dos dedos preparado para sair, é como se uma onda forte de coragem tomasse conta do meu corpo.

Queria que a coragem líquida vivesse nas minhas veias. Não a tequila, ou a Polar. Nem vinho. Só algo que sobreponha o medo, as angustias e a insegurança. Principalmente a insegurança. Em todos os aspectos e em toda a minha existência.

Terceira Tentativa

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Já tenho três textos inacabados nos rascunhos. O medo de não conseguir terminar esse aqui já está aumentando. Só não está maior do que o medo de encarar os meus pensamentos e colocar as coisas em ordem.

Houve uma época em que eu escrevia para me entender. Eu escrevia quando as coisas não estavam indo bem e me sentia aliviada depois. Escrevia com o prazer em por tudo para fora. Não sei quando eu parei de me sentir assim.

Talvez os problemas sejam maiores agora. Talvez só porque já passei pelas outras coisas, elas parecem muito menores agora. Mas eu aprendi que não devemos menosprezar o que sentimentos, por mais que as vezes seja a única saída que encontramos.

O meu peito carrega um grande ponto de interrogação e a minha cabeça continua latejando. E é de conhecimento público que ressaca não dura tanto tempo. Os meus pensamentos ficam martelando na mesma tecla e as únicas respostas que encontro na verdade são mais perguntas.

Só não quero mais me sentir vazia. Não quero esse aperto no peito dizendo que não sou o suficiente interessante para fazer com que pessoas queiram conversar de verdade comigo. Não aguento mais conversas para matar o tempo, mas sinto que é apenas assim que as pessoas me enxergam.

Quando nós estávamos conversando na cama e eu acariciando o seu rosto foi um dos únicos momentos em que eu não me senti assim. Eu queria ouvir cada uma das coisas que você falava e queria que você me fizesse mais perguntas. Mas você ainda estava com muito álcool no corpo.

E eu me sinto uma boba por completo pensando que um dia poderei estar com alguém como você. Me sinto mais boba ainda quando lembro de você falando que eu era a sua maior ilusão. Veja só, na verdade você que se tornou a minha.

Minhas amigas dizem que está tudo bem. Que nada ruim aconteceu e foi como nós imaginávamos. O que a platéia daquele quarto não imaginava era que eu já imaginava muitas outras coisas a muito tempo.

O meu coração está pulando de novo. Queria acreditar que tudo vai ficar bem, como vieram me falar no twitter ontem. E eu sempre acreditei nisso também. Sempre acreditei que existem muitas pessoas por ai e que temos que nos permitir um pouco de cada. Mas agora eu só queria um pouco mais.

 

Entre Sorrisos indicado ao prêmio Mystery Blogger Award

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“O ‘Mystery Blogger Award’ é um prêmio para blogueiros incríveis com postagens engenhosas. Seu blog não só cativa; ele inspira e motiva. Este prêmio também é para blogueiros que acham diversão e inspiração em blogs e fazem isso com tanto amor e paixão” (Okoto Enigma).

Meu despertador tocou e mais uma vez eu não podia acreditar que o semestre ainda não acabou. Isso foi na terça. Hoje, no sábado, eu continuei sem acreditar quando minha amiga me deu um tapa tentando desligar o despertador.

Voltando para terça, eu desliguei o despertador e fiquei enrolando mais cinco minutos na cama. Aproveitei para olhar as notificações e me atualizar sobre o que rolou naquelas míseras seis horas que tive de sono. Uma das notificações era do aplicativo do wordpress e veio do blog Transbordar-se.

Primeiro um elogio que encheu o meu coração de alegria logo cedo. Depois uma notícia: ele estava me indicando para o Mystery Blogger Award. Eu, que nunca tinha ouvido falar, tive um motivo a mais para me levantar e fazer de tudo para arranjar um tempinho para aparecer por aqui e contar para vocês.

A semana acabou e só agora tive o tal do tempo.

É muito gratificante quando recebo likes e comentários falando que alguém se identificou com o que escrevi ou que simplesmente sorriu enquanto lia. Saber que alguém aprecia o que nós fazemos com tanto amor, nos faz transbordar. Para o menino do blog que me indicou, eu gostaria de falar: transborda-te. Transborda-te de alegria, sorrisos e sonhos. Transborda o teu amor sempre.

Parafraseando a minha professora de sociologia da comunicação: mystery blogger award?! what is this?!?! Eu li pelos outros blogs que estão participando para tentar entender, e eis que descobri que é um prêmio para homenagear blogs e reconhecer a dedicação e carinho que transmitimos por aqui.

As regras são bem simples. A não ser que eu tenha entendido errado alguma coisa, o que não me surpreenderia.
  • Colocar o logo/imagem do prêmio no seu blog;
  • Listar as regras; 
  • Agradecer a quem o nomeou e fornecer um link para seu blog;
  • Mencionar o criador do prêmio; (a florzinha da gratidão será entregue para quem me fornecer esta informação)
  • Conte a seus leitores três coisas sobre você;
  • Nomeie até dez pessoas;
  • Notificar os seus indicados comentando no seu blog;
  • Peça a seus candidatos que respondam cinco questões de sua escolha, perguntas estranhas ou engraçadas;
  • Compartilhe um link para sua melhor postagem.
Ok, vamos lá.
um.

Apesar de estar sempre fazendo piadas e brincando com quem está na minha volta, sou extremamente sensível para algumas coisas que não deveria ser.

dois.

Amo ler e escrever. Quando era mais nova conseguia me dedicar muito mais para essas coisas e infelizmente com o tempo foi me faltando tempo. Acho que fez sentido.

três.

Nunca sei onde enfiar a minha cara quando alguém aleatoriamente aparece falando que leu algum texto meu, ou que já viu o meu blog. Fico feliz, mas o vermelhão vem automaticamente.

O blog que me nomeou pediu que respondesse o que eu tenho feito com o amor que transborda em mim. E sem sombra de dúvidas eu tenho sonhado. Faço dos meus amores fontes de motivação para seguir atrás dos meus objetivos.

Por causa deste blog eu já descobri tanta coisa. Já li tanta coisa boa e que me fez sorrir. Os blogs que estou nomeando são de mulheres que, na sua maioria, conheci pela internet, lendo e vendo o mundo sob suas perspectivas. A Monique eu conheci ainda no ensino médio, quando eu falava sobre minhas dúvidas sobre o futuro e ela me confiava as dela. Espero que, assim como eu, vocês gostem e admirem o trabalho dessas moças lindas ♥

nomeadas:

7 seasons blog

Maridx

Nada Sensata

Molindmann

Batom Geek

 

Vou fazer uma pergunta só, assim como o blog Transbordar-se fez com os nomeados dele.

Quais os melhores momentos que você viveu entre entre sorrisos?

 

Eu adorei participar e compartilhar essas coisas com vocês. Espero que minhas indicadas se divirtam e conquistem muitas coisas, tanto na internet quanto pelo mundo. Mas sei que o mundo já é pequeno pra essas mulheres que listei ali em cima.

TEXTO: Entendendo signos e outras coisas

Entendendo signos e outras coisas

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Ela não entende muito de signos, mas adora quando falam bem do dela. Também não sabe nada de futebol e mesmo assim insiste em comemorar quando o time vence alguma partida. Aprendeu a fazer café no estágio porque tem um cartaz com os passos colado do lado da cafeteira. E ela também aprendeu que precisa se dedicar mais a si mesma e focar nos seus objetivos.

As vezes sai do banho dançando enrolada na toalha enquanto ouve Chico. Em outras, sai segurando as lágrimas que sobraram depois de vinte minutos em baixo d’água.

Descobriu que pode pintar o cabelo de ruivo sem julgar a si mesma por não estar com a cor natural. Ela também descobriu que a vida é uma puta, mas ela ama as putas e a vida também. De vez em quando ela até pensa em ser a puta. Na maioria das vezes ela é.

Ela tem medo de ser motivo das lágrimas de alguém e esquece que já teve outras pessoas em suas próprias lágrimas. Se assusta com as situações em que é colocada mesmo sabendo que é tão natural quanto o choro ao assistir os comerciais de Natal. Tenta refletir e aprender com tudo, até que se encontra com aquele aperto no peito tudo de novo.

Quando pensa que sabe, descobre que ainda há mais para chegar na verdade. Procura pela verdade e se depara com insegurança. Diz que tá tudo bem quando não está e faz piada sobre estar na pior quando na verdade vai tudo bem por ali. Gosta de ver que tem gente que se preocupa com ela, mas só espera que esse sentimento seja natural. Quer mais consideração das pessoas. Espera por uma mensagem com explicações que já imagina ter.

Admira quem se importa. Se importa com quem admira. Vive em um ciclo de reciprocidade que as vezes parece só existir na sua cabeça. Fala que está cansada de gente vazia quando na verdade o que mais deseja é se esvaziar por completo de seus pensamentos.

Ela tem um discurso pronto sobre príncipes encantados, mas no fundo espera ser surpreendida pela vida. Aquela mesma vida que ela considera uma puta. Como se houvesse outra. Isso ela quer descobrir também.

Sente que tem tanto a falar a ponto de só conseguir colocar no papel. A ponto de sentir vontade de chorar quando precisa aumentar o tom de voz para ser ouvida. Não entende o egoísmo alheio e se sente menor ainda quando tentam diminui-la.

Ela só procura pela paz. Paz no trabalho, em casa, na faculdade e nas relações. Paz no coração e na mente. Quer ter convicção de que depois de tudo nada terá sido inútil como acredita que pode ser.

Ela é de sagitário, ascendente é gêmeos, lua em aquário e não faz ideia do que isso significa. Mas sabe que conforme segue a vida, vai descobrindo mais coisas. E tem fé de que entenda isso também, além de todas aquelas outras coisas que guarda no coração.

Por que Dear White People não se tornou um viral?

Acabei de escrever sobre Dear White People e a falta de atenção que demos para ela. Comparando com a repercussão de 13 Reasons Why, acabei percebendo que nós precisamos falar sobre isso.

Eu, menina branca de classe média, não posso falar sobre isso. Não sinto na pele o que é ser silenciada pela sociedade. Não é a minha boa vontade de escrever um texto bonito que vai mudar alguma coisa. Pessoas brancas iriam ler o que escrevi, dariam um like, mas depois teriam algo mais importante para fazer. Talvez nem assistiriam a série por terem lido aquele texto.

Publicar aquele texto seria como querer limpar a minha consciência e poder dizer que fiz a minha parte. Seria uma mentira.

Decidi, então, deixar aqui alguns links.

Mulheres negras são as maiores vítimas de violência

Estamos em maio

Preconceito racial e racismo institucional no Brasil

Países africanos e de maioria negra cobram Brasil na ONU por racismo

Ataques a estudantes africanos expõem problema racial na Índia

A cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no Brasil, diz CPI

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lembrem-se: racismo é crime. Denuncie.

UM ANO de novo

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Há um ano atrás tudo mudou de novo. O que eu vivi no ensino médio já estava só na memória, assim como algumas pessoas que passaram a ser apenas partes bonitas das fotografias da minha adolescência. Posso dizer que arrisquei bastante, de certa forma, naquele tempo. Troquei de escola, fiz novas amizades, iniciei meu namoro. Mas já estava na hora de um novo plot twist na minha vida.

Comecei a faculdade, terminei meu namoro e sobrevivi a um semestre tendo aulas de lógica na Filosofia. Até que não foi tão ruim assim, afinal. Aprendi sobre premissas e quais argumentos eram realmente válidos para determinadas conclusões. Ainda acredito que as que usamos foram válidas. E na nossa conclusão? Foi boa também.

Pensei que não aguentaria, que voltaria atrás de tudo o que disse e sentia. Pensei que nunca fosse encontrar outra pessoa. E eu também pensei que fosse me preocupar caso não encontrasse. No final das contas encontrei a melhor pessoa que poderia procurar: eu mesma.

Fui atrás dos meus sonhos, me concentrei no que eu realmente quero. Repensei minhas atitudes de dois anos atrás. Me perguntei porque disse “sim” e descobri que eu ainda vivia com meu complexo de príncipe encantado. Olhei fotos antigas e senti falta de quem me afastei por insegurança. Desfiz meus conceitos de muitas coisas que antes pensei serem completamente verdadeiras.

Amadureci, no final das contas. Era exatamente o que eu queria e precisava.

No sábado passado comemorei meu aniversário de um ano de solteira. Não que eu estivesse contando os dias. Nem que eu ainda sinta falta. E não, não que o namoro tenha sido ruim assim. Só é bom poder comemorar este tempo em que eu me encontrei e comecei a fazer mais por mim, além de tudo o que já fiz por outra pessoa.