UM ANO de novo

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Há um ano atrás tudo mudou de novo. O que eu vivi no ensino médio já estava só na memória, assim como algumas pessoas que passaram a ser apenas partes bonitas das fotografias da minha adolescência. Posso dizer que arrisquei bastante, de certa forma, naquele tempo. Troquei de escola, fiz novas amizades, iniciei meu namoro. Mas já estava na hora de um novo plot twist na minha vida.

Comecei a faculdade, terminei meu namoro e sobrevivi a um semestre tendo aulas de lógica na Filosofia. Até que não foi tão ruim assim, afinal. Aprendi sobre premissas e quais argumentos eram realmente válidos para determinadas conclusões. Ainda acredito que as que usamos foram válidas. E na nossa conclusão? Foi boa também.

Pensei que não aguentaria, que voltaria atrás de tudo o que disse e sentia. Pensei que nunca fosse encontrar outra pessoa. E eu também pensei que fosse me preocupar caso não encontrasse. No final das contas encontrei a melhor pessoa que poderia procurar: eu mesma.

Fui atrás dos meus sonhos, me concentrei no que eu realmente quero. Repensei minhas atitudes de dois anos atrás. Me perguntei porque disse “sim” e descobri que eu ainda vivia com meu complexo de príncipe encantado. Olhei fotos antigas e senti falta de quem me afastei por insegurança. Desfiz meus conceitos de muitas coisas que antes pensei serem completamente verdadeiras.

Amadureci, no final das contas. Era exatamente o que eu queria e precisava.

No sábado passado comemorei meu aniversário de um ano de solteira. Não que eu estivesse contando os dias. Nem que eu ainda sinta falta. E não, não que o namoro tenha sido ruim assim. Só é bom poder comemorar este tempo em que eu me encontrei e comecei a fazer mais por mim, além de tudo o que já fiz por outra pessoa.

 

Outro Texto

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Não queria começar esse texto falando que é estranho tal sentimento. Tenho a sensação que já comecei um texto assim antes. Então, vou começar falando que é completamente normal isso tudo.

Pausa para estalar os dedos. Respira.

Os meus dedos ficam saltitando pelo teclado rapidamente. Eu sei que estou sentindo alguma coisa, mas não sei o que é. Talvez eu só esteja na tpm mesmo. Ou talvez eu tenha levado muito a sério o que a Carla disse na sexta feira sobre já fazer um ano que terminou o namoro. Também faz um ano desde que eu terminei o meu namoro. Muitas coisas aconteceram. As vezes eu me pego lembrando de certos momentos. Mas tudo bem, é normal. Por favor, me digam que é.

Ontem eu sai. Fui em uma festa, para ser mais específica -esse texto tá começando a ficar “meu querido diário”. Não tinha lavado o cabelo e eu sinto que a Heloisa me julgou por isso. Também estava de salto alto e com certeza teve gente que me julgou lá dentro por isso. Fiquei boa parte do tempo no celular, até que um estranho apareceu se julgando capaz de me tirar da segunda tela e viver a tela da vida real. Acho que na verdade, eu só queria poder falar com alguém e sentir que essa pessoa também queria falar comigo. O problema é que eu sempre fico esperando que isso aconteça com as pessoas erradas.

Também pensei em começar o texto falando sobre saudades. Só que eu não sei de que. Provavelmente esse seja o sentimento estranho que eu tava falando.

Eu aperto o botão de desbloqueio do meu celular constantemente para ver se recebi alguma mensagem. Quando recebo, a sensação de vazio continua a mesma. Ok. Agora eu tô achando que isso tudo é culpa da quantidade de indie que tocou no Margot ontem. Talvez eu não devesse ter cantado tão enlouquecidamente Are You Mine e muito menos performado Call Me Maybe com tanta nostalgia no peito.

Não tenho mais unhas para roer e nem coragem de continuar tentando. Queria poder terminar esse texto completando o máximo das caracteres com a frase que mais me define no momento: “tá foda”. Mas não posso. Talvez a minha mãe leia isso daqui qualquer dia desses.

Eu sei do que eu sinto saudades. Não é de ter alguém, nem de me entregar a alguém. A saudade é de abraçar alguém e saber que essa pessoa se sente bem por isso.

Quero um caso de uma noite que me faça suspirar no dia seguinte lembrando de cada segundo, mas também quero uma pessoa para tomar um café e ouvir música junto numa quarta feira. Não me entendam mal, só que minha vênus é em sagitário mas eu ainda fico em crise quando vejo filmes de romances que não deram certo.

Terminei de assistir La La Land e resolvi escrever aqui. Não que isso signifique muita coisa. Mas significa.

Minha campeã 

A playlist da Laura tava tocando enquanto eu tomava banho. Peguei a toalha, me enrolei nela e quando percebi lá estava eu dançando as músicas do Tropicália sozinha do banheiro.
A sensação de alívio, conforto e superação dominou o meu corpo de uma maneira que eu nunca senti antes. As lágrimas não param de rolar pelo meu rosto.

Meu coração vai explodir, aposto. E o sorriso não sai mais da minha cara.

Eu sempre acreditei muito. Não tem palavras. Logo eu, que tenho essa mania de colocar tudo o que sinto em texto. Só consigo dizer que eu tô orgulhosa e não é pouco.

Te ver daquele jeito me quebrou em pedaços que as minhas lágrimas de hoje estão tentando juntar. Fecho os olhos e penso nos últimos cinco dias e no quão difícil foi estar ai e aqui hoje. Agora você tá ai, do outro lado do mundo, com a medalha no peito e calma no coração. Tudo o que eu queria era isso: te ver calma. E no final tudo valeu a pena, afinal. 

Não é conto de fadas

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Durante a infância nos fizeram acreditar em contos de fadas e que nós deveríamos ir atrás dos nossos príncipes encantados. Algumas de nós ainda espera por eles, mesmo sabendo que é tudo uma grande invenção da Disney. Nos fizeram acreditar que é um grande privilégio termos um homem nas nossas vidas. Acabamos acreditando que nós deveríamos estar satisfeitas por “termos” alguém. Não podemos reclamar.

Quando entramos em um relacionamento amoroso com outra pessoa o pensamento é como se nós estivéssemos com muita sorte. Como se tivesse sido um milagre encontrarmos alguém que finalmente demonstrou interesse por nós. A verdade é que nós é que devemos ter interesse por nós mesmas.

A ideia de que estarmos em um relacionamento é um sinal de sorte grande nos faz cultivar a crença de que nós não podemos deixar com que isso acabe. E então nós fechamos os olhos para certas situações.

Deixamos de sair com as amigas e amigos. Deixamos as nossas maiores vontades de lado para agradar a outra pessoa. Nós deixamos de ficar felizes pelas nossas conquistas para não magoar a outra pessoa. Trocamos a roupa. E nós até pensamos em terminar tudo de uma vez, até que ouvimos que, se isso acontecer, a outra pessoa vai se matar. Então nós desistimos.

Ouvimos que nós não somos inteligentes e que deveríamos nos sentir mais do que privilegiadas por termos aquela pessoa ali. Sinceramente, eu não me sentiria. Acontece que todas essas coisas, e muitas outras, fazem parte da rotina de diversos relacionamentos amorosos e muitas mulheres ainda se sentem presas neles. Talvez por medo, insegurança, pena. São muitas das justificativas que ouvimos de amigas e conhecidas para não terminarem um relacionamento abusivo, simplesmente porque não querem ter que admitir que é um relacionamento abusivo. Ter medo e angústia de dizer que os contos de fadas, de repente, são só para fadas e que nós somos seres humanos. E nós sabemos o quão ruim o ser humano pode ser.

A nossa luta é diária. Nós não queremos ver mais irmãs morrendo por conta de um relacionamento com abusos físicos. Nós não queremos ver mais irmãs chorando escondidas por abusos psicológicos.

Um Acúmulo de Palavras Sem Sentido

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Escrever nem sempre foi a maneira em que eu encontrava pra esclarecer tudo na minha cabeça. Pra ser sincera, nem lembro mais o que eu fazia pra relaxar nos piores momentos da vida antes de começar a escrever. Se é que os piores momentos já chegaram. Com 14 anos comecei a acompanhar alguns autores e descobri essa paixão (graças a alguma força superior). Eu chegava a escrever uns 3 textos em 1 hora e ficava feliz com isso. Ultimamente, se escrevo 1 texto durante o dia já me sinto imensamente bem por ter arranjado alguns minutos de paz nessas vinte e quatro horas frenéticas.

 As coisas têm acontecido rápido. As inspirações vem e vão muito rápido, mas a necessidade de poder digitar tudo o que eu sinto continua firme e forte. Pensei em escrever sobre meus sonhos, sobre amizades, sobre amor… Agora estou aqui, escrevendo sobre a minha paixão pela escrita. Já que comecei a faculdade de filosofia, acho que nada mal perguntar aqui o que é a paixão. Não sei o que os professores da universidade dizem sobre isso, mas gosto de levar pelo lado da admiração e desejo por algo. No meu caso, nada como numa tarde de quinta feira desejar tanto um momento para escrever e admirar as palavras que surgem.

 Falar nunca foi o meu forte. Eu tremo na base e não tem jeito: fico vermelha, a voz treme, o coração começa a pular desesperadamente esperando que ninguém esteja de fato prestando atenção em mim. Quando escrevo, não me importo com mais nada. No papel, ou tela em branco, está tudo o que eu sinto bem explicadinho para que não haja dúvidas de que a sinceridade esteve presente em cem por cento do texto. Talvez amanhã não sinta mais as mesmas coisas, e daqui a vinte anos volte a sentir. Mas o registro de cada pensamento é o que me faz pensar o quanto Raul Seixas estava certo quando disse que somos metamorfoses ambulantes, e graças a deus! Ninguém merece viver sentindo sempre as mesmas coisas, com os mesmos medos e mesmas inseguranças. Devemos nos permitir a cada instante sentir coisas novas, e a minha maneira de registrar cada emoção é escrevendo.

 Talvez seja só um hobby bobo de adolescente de dezessete anos. Talvez o que eu escrevo seja um acúmulo de palavras sem sentido que eu penso que estou entendendo alguma coisa. Talvez eu escreva um livro. E talvez, ninguém queira publicar. Mas se tem alguma coisa certeira é de que eu escrevo para mim do fundo do meu coração. A lavagem da alma mais linda que pude encontrar nessa caminhada tão curta, até agora. E continuarei escrevendo, até que algum dia eu canse. Se esse dia vai chegar? Talvez sim. Talvez não. No momento, posso dizer que aposto todas as fichas no não. Mas quem sabe, né Raul?

 

Sem Explicações

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Faz tempo que eu não escrevo nada né? É que as vezes é mais fácil escrever quando as coisas não estão correndo muito bem. Acontece que ultimamente a maior parte das coisas se tornam boas só por estar do teu lado.

 Já falei sobre amor umas dezenas de vezes, mas nunca parece ser o suficiente. As pessoas procuram explicações o tempo todo sobre o que estão sentindo, centenas de pessoas já escreveram e falam diariamente sobre o amor. Nos últimos tempos eu tenho sentido mais e explicado mesmo. Afinal, não existe maneira de explicar aquela sensação de encontrar a tua mão no meio de multidões. Eu prefiro sentir, e aproveitar.

 Essa história de ter que explicar tudo o que sentimos já ficou chata. As coisas são muito melhores quando simplesmente nos entregamos por completo e esperamos pra ver no que vai dar. Desde que “nós” aconteceu, tudo tem dado em muita coisa boa. O sentimento de gratidão é o melhor de todos eles. É incrível parar pra pensar que entre tanta gente no mundo, você é quem mais me faz sentir.

 Você me faz sentir um aperto enorme no coração quando ficamos uma semana longe; E uma alegria imensa quando te vejo outra vez. Você me faz sentir borboletas no estômago cada vez que me faz uma surpresa.

 Você me faz rir como se não houvesse piada melhor a cada piada que você conta. Você me faz chorar com os filmes de romance mais idiotas do planeta. Você me faz acreditar que as coisas são boas, afinal.

 Não existem palavras que explique a explosão de sentimentos bons que você me traz cada vez que eu te vejo. Talvez seja por isso que eu não tenho escrito tanto, né? Mas pode acreditar que eu tenho sentido muitas coisas maravilhosas, e é isso o que mais importa.

Medo de Amar

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 A gente tem medo, angústia. A gente foge e nega. Não queremos nos apaixonar, não queremos amar. Não de novo. Não queremos mais lágrimas, mais coração apertado e nada daquele vazio quando alguma coisa não da certo. Criamos uma bolha contra todo e qualquer tipo de relacionamento que pode florescer. Por medo, só isso.

 Houve uma época que eu tive medo. Já fugi e já neguei. Não aceitava o fato de que o amor poderia ser uma coisa boa. Não entendia o que os filmes viam de tão bonito naquele chororo todo que na maioria das vezes vai cada um para um lado no final. Não entendia e não queria. Tudo o que queria era distância. E foi assim que as coisas começaram.

 Me distanciei tanto a ponto de não acreditar mais que eu merecia arriscar. Todo mundo merece arriscar e pagar para ver no que vai dar. Sem medo, sem nada. Só sentir. E eu fugi disso.

  Mas tudo vale a pena. E mais cedo ou mais tarde todos vamos ter que aprender isso. Não poderemos fugir e ter medo para sempre. Nós merecemos uma chance de sermos felizes, de recebermos felicidade e de darmos ela para outra pessoa. Se não der certo, se quebrarmos a cara, se rolar muitas lágrimas, pelo menos vamos ter sentido cada sentimento bom que esteve presente. Nada mais importa quando nós compreendemos que tudo serviu para alguma coisa no final.

 Precisamos sair da bolha. Esquecer que pode não dar certo. Existe a mesma porcentagem de chances de dar certo e não dar, somos nós que escolhemos de que lado vamos jogar as fichas.

 O amor é indecifrável, não têm como defini-lo ao certo. Só quem se permite sentir todas as coisas que ele proporciona sabe. Só quem se permite permitir todas as possibilidades e aproveitar cada momento sabe.