As minhas flores e o jogo do contente

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Sabe o que eu fazia quando não conseguia dormir quando mais nova? Me imagina em um campo de flores com fadas, borboletas e arco íris para todos os lados. Eu encontrei, no meu pensamento, uma maneira de enfrentar o meu medo de escuro e assim eu passei muitas noites da minha infância. Tinha vezes em que eu suava frio, mas no fundo eu acreditava ter a solução e por isso ficava mais calma.

E quando as coisas insistiam em não dar certo, eu aplicava o jogo do contente, da Polyanna, na situação. Se alguma coisa não estava indo bem, eu procurava o lado positivo. Sempre foi assim.

Sempre acreditei ter total controle da minha vida até que ela tratou de provar o contrário. Em alguma noite de outubro percebi que não estava mais jogando com a Polyanna. E ontem me dei por conta de que não imagino mais os meus campos floridos antes de dormir.

Mesmo que não tenha mais medo para dormir, o medo continua. Só que agora é pelas coisas que podem acontecer quando eu acordar.

Em uma das minhas conversas pedindo ajuda, falei sobre o jogo do contente e sobre como eu só não conseguia mais. Sobre o quão exausta eu estava e o quão boba eu me sentia o tempo inteiro por ter me permitido estar naquele estado.

Decidi que vou voltar a jogar agora. Vou voltar a imaginar as minhas flores por todos os lados.

Li em Tartarugas até lá em baixo, do John Green, que pensamentos são apenas pensamentos, e nós não somos eles. Não podemos controlar os nossos pensamentos, mas podemos escolher se eles serão importantes pra gente ou não. E por muito tempo eu permiti que os meus pensamentos negativos tomassem conta de cada parte de mim em cada um dos meus dias. Permiti que me dissessem que o problema estava em mim, quando na verdade estava naquelas pessoas.

Eu posso escolher entre a minha saúde e boas energias, ou a continuação de um massacre psicológico incentivado externamente por outras pessoas. E eu fiz uma escolha nova agora.

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Minha campeã 

A playlist da Laura tava tocando enquanto eu tomava banho. Peguei a toalha, me enrolei nela e quando percebi lá estava eu dançando as músicas do Tropicália sozinha do banheiro.
A sensação de alívio, conforto e superação dominou o meu corpo de uma maneira que eu nunca senti antes. As lágrimas não param de rolar pelo meu rosto.

Meu coração vai explodir, aposto. E o sorriso não sai mais da minha cara.

Eu sempre acreditei muito. Não tem palavras. Logo eu, que tenho essa mania de colocar tudo o que sinto em texto. Só consigo dizer que eu tô orgulhosa e não é pouco.

Te ver daquele jeito me quebrou em pedaços que as minhas lágrimas de hoje estão tentando juntar. Fecho os olhos e penso nos últimos cinco dias e no quão difícil foi estar ai e aqui hoje. Agora você tá ai, do outro lado do mundo, com a medalha no peito e calma no coração. Tudo o que eu queria era isso: te ver calma. E no final tudo valeu a pena, afinal. 

Não Esqueça Da Felicidade

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Nós juramos que sabemos de tudo. Acreditamos que vamos viver um final feliz em cada história nova que se inicia. Algumas lágrimas caem, mesmo depois de tanta fé que foi colocada em uma pessoa. Nós botamos fé. Afinal, o que seria da vida se não acreditássemos que desta vez vamos ser felizes? E nós iremos. Seremos felizes em momentos, instantes, abraços, olhares. E nós fomos, não importa se a felicidade acabou.

 Conhecemos uma pessoa nova. Ela tem um olhar inesquecível, assim como o timbre da voz e o sorriso. O tempo passa, nós sorrimos, choramos de alegria, pulamos, cantamos músicas juntos, trocamos mais de cem fotos no whatsapp. Foram momentos felizes. Foram. As pessoas chegam nas nossas vidas para nos proporcionar o melhor do que elas tem a oferecer. Nós acreditamos que ela seria a pessoa, mas quando ela vai embora não aceitamos que ela não tenha sido. A verdade é que ela foi. Foi cem por cento a pessoa. A vida é tão curta para buscarmos por apenas uma pessoa que possa nos dar bons momentos. Devemos agradecer por termos a chance de conhecermos cada vez mais pessoas que podem ser a pessoa.

 É interessante o fato de que essa geração, como disse a escritora Bruna Vieira, sendo a geração do “eu te amo e enter”, mesmo com toda a facilidade de amar e dizer que ama alguma pessoa a todo o instante, ainda assim acredita que a cada enter será um final feliz. O amor hoje em dia se tornou algo a mais do que uma ideologia. É como se nós estivéssemos procurando por um amor físico, capaz de tocarmos e vivermos a todo o instante, e não o sentimento. Esse sentimento que mesmo que mude, continua nos nossos corações para sempre.

 Se falar de amor não é fácil, vamos imaginar falar sobre toda a responsabilidade que botamos na felicidade quando acreditamos que é amor. Imagina só o desespero da felicidade em nos manter calmos para cada acontecimento, para fazer com que nós aproveitemos cada momento de paz. A felicidade está desesperada nesses dias em que dizemos aos prantos que foi tudo uma mentira. Como se as risadas tivessem sido falsas, o coração não tivesse batido mais rápido. Como se as mãos não tivessem soado e os olhos não tivessem brilhado.

 Tudo o que acontece nas nossas vidas é por algum motivo maior. Enquanto não encontrarmos esse motivo, devemos aproveitar tudo o que ainda têm para acontecer. Não podemos simplesmente acreditar na felicidade para no final esquecermos dela. A felicidade é o estado de espírito em que nos encontramos em algum momento, e não um lugar ou tempo nas nossas vidas que ficaremos para sempre lá. Nós devemos arriscar a cada dia, chorar de tristeza e alegria, rir, cantar, escrever e dançar. Devemos simplesmente viver. Nós não saberemos quando o motivo de cada tropeço que passamos chegar, mas saberemos ai que tudo o que nós passamos deixarão de ser simples mágoas para se tornarem capítulos desse livro. E tudo vai ter valido a pena no final.