Mulher


É resistência. É sonhar alto. É correr atrás. Sorrir enquanto sangra. Chorar de tanto rir. É provar que é sim capaz. É ouvir muitos “nãos”. É ser duvidada e mesmo assim não desistir.

Gerar a vida. Mas de preferência quando ela decidir que quer. Viver corajosamente todos os dias sabendo de cada um dos riscos que corre.

É passar batom vermelho. É não passar nada. É dançar funk depois de ouvir Caetano. É escolher por não tirar os seus pêlos do corpo. É também preferir ficar sem nenhum.

É colocar uma casaco na cintura antes de sair de casa. É gritar com homem machista no meio da rua. É ter medo do que poderia ter acontecido com ela depois daquilo.

É lutar pelos seus direitos. É gritar a sua vontade. Nem sempre é sobre ser ouvida, e sim sobre mostrar que tem voz. E muita.

É mostrar para o que veio. É mostrar que vai ficar. É calar a boca de opressor. É deixar a sociedade de boca aberta pela união.

É gostar de cozinhar e ficar em casa. Ou então pode ser também gostar mesmo é de uma boa festa e muita cerveja.

É sobre ser mulher. Ser forte. Ser independente. E é difícil ser mulher.

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Cidades de Papel x 500 Dias Com Ela

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*PODE CONTER SPOILER*

Cidades de Papel já era um dos meus livros favoritos antes de sair o filme. Quando assisti o filme, logo ele se tornou um dos meus filmes favoritos, mas dessa vez por um motivo diferente.

 Não sei se foi por conta da minha idade quando li o livro, mas vendo o filme comecei a perceber coisas que ainda não tinha percebido. O livro se tornou o meu favorito pelo drama de Quentin ao procurar por Margo e ser rejeitado. O filme não, Quentin não é tão vítima assim. Passei a enxergar a história com outros olhos.

 Acredito que a maior parte das pessoas que leram ou assistiram o filme achou Margo uma grande filha da mãe, insensível e egoísta. Mas não é bem assim. Ela apenas estava sendo ela, não mudou suas convicções por homem nenhum, não desistiu da sua verdadeira essência. E eu admiro muito ela por isso. 

 O mesmo aconteceu na história de 500 Dias Com Ela. Summer só não queria um relacionamento sério com Tom. Custava entender isso? Ela com certeza não é uma vagabunda por deixar claro que, para ela, aquilo tudo estava sendo uma diversão temporária. Se o cara quis acreditar que mudaria a sua maneira de pensar, bom, nós não podemos fazer nada.

 Margo e Summer são humanas. Nem todo filme de romance vai terminar com um final feliz. Lide com isso. Não critique uma personagem por ter traços reais. É curioso pensar o quanto Quentin e Tom são defendidos por terem sido ingênuos. Mas é preciso perceber que: a vida segue após uma rejeição. 

 Nos dois filmes nós notamos características parecidas: Cidades de Papel – um menino apaixonado, uma menina autentica; o menino corre atrás dela por pensar que ela, ao saber que ele é apaixonado por ela, voltaria para casa e seriam felizes para sempre. 500 Dias Com Ela – um homem apaixonado, uma mulher independente; o homem culpa a moça por ela não querer um relacionamento com ele, mesmo tendo deixado isso claro desde o início da história.

 Porque isso é importante? 

 Não sei ao certo porque sinto que deveria estar falando sobre isso, mas percebi que Margo e Summer são tão reais, assim como Quentin e Tom. Nós, seres humanos, achamos que é dever dos outros gostar da gente da mesma maneira que gostamos deles, mas não é assim que as coisas acontecem. Não vitimize Quentin e Tom. Não xingue Margo e Summer.

 Essas duas personagens femininas representam grande parte das mulheres. As pessoas acham que toda boa moça quer ter um relacionamento sério com um cara legal, mas as vezes a boa moça só quer ficar sozinha e correr atrás dos seus sonhos sozinha. Os dois personagens masculinos representam grande parte, ainda, dos homens que culpam as companheiras por não quererem ter algo com eles. Elas só queriam se divertir, fazer o que tinham vontade. Porque as coisas precisam se complicar? Margo queria um aliado para sua aventura, não mais uma pessoa que poderia machucá-la. Summer só queria aproveitar o tempo que estava com Tom, sem se preocupar com o futuro, mas existe essa mania das pessoas de não conseguir viver o momento e estar sempre se pensando na frente. Elas só são culpadas por terem escolhido a felicidade delas ao invés de mudar todos os seus planos por um outro alguém. Com essa culpa todas nós deveríamos viver. 

E que nós possamos assistir mais filmes reais como estes ♥

8 de março – O Dia da Flor

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No dia 8 de março de 1857, mulheres que trabalhavam em uma fábrica de tecidos em New York reivindicavam por melhores condições de trabalho, como um salário equivalente ao dos homens, pois na época recebiam um terço do que eles recebiam. Naquele 8 de março o presente que ganharam pela luta foi um incêndio na fábrica com todas trancadas lá dentro. Mas espera. Pra que comemorar o dia da mulher, não é mesmo?  Só depois de 118 anos depois daquele 8 de março a ONU reconheceu a data que em 1910, em uma conferência na Dinamarca, teria sido decidido que o oito de março se tornaria o dia internacional da mulher.

 Durante um dia inteiro nós mulheres recebemos flores e chocolates. Ou pelo menos é a ideia que a mídia tenta passar, afinal não estamos na casa da cada mulher no mundo para ver o tamanho dos hematomas em seus corpos causados por “amor”, como diria algum jornal. Homens compram flores para suas esposas, mães, avós, filhas como se essas flores apagassem cada “volta pro tanque”, “vai lavar uma louça”, “parece uma puta com esse batom” dito nos outros dias do ano.

 O dia da mulher, querida grande mídia, é muito mais do que por um comercial emocionante de um pai e um filho comprando algum perfume/chocolate/sapatos/flores pra mãe. O dia da mulher é a marca da nossa luta diária por direitos básicos como poder andar na rua sem passar por olhares maliciosos só por estar usando um short, poder seguir uma carreira sem ser desvalorizada só por ser mulher, poder mandar no próprio corpo.

 Ainda existem homens que em pleno 2016 acham que essa data é mais um mimimi do feminismo. Que feminismo é vitimismo, ou pior: quer colocar a mulher acima do homem. As pessoas possuem uma facilidade enorme em julgar sem ao menos ler sobre o assunto, o que eu simplesmente acho uma habilidade incrível do ser humano. É extremamente doloroso ouvir argumentos tão sem sentido como: “se feminismo quer igualdade, porque o nome é feminismo?!”. As vezes, eu só queria entrar no cérebro de algumas pessoas e desligar o botãozinho do senso comum delas.

 Partes do corpo dissipadas. Gritos. Lágrimas.

 “Esconde esse olho roxo!”.

 “Ninguém mandou não se cuidar”.

 “Mas olha o tamanho da tua roupa! Não vai sair desse jeito!”.

 “Como que tu sabe que o filho é meu?! Dá pra todo mundo. Não é meu não”.

 “Te rala. Ninguém mandou engravidar. Vai ter a criança sim”.

 “Feliz dia da mulher, senhora. Toma aqui essa flor”.

 É mais ou menos assim que as coisas funcionam. Meninas de 10 anos grávidas, mas a culpa é delas, afinal. Não pode abortar. Homem se acha no direito de tocar no corpo da mulher sem consentimento e chama ela de mal educada se tem alguma reação de repúdio.

 O dia da mulher é muito mais do que agradecer pela mãezinha que lava a louça e lava as tuas cuecas. O dia da mulher é muito mais do que uma flor, que até pouco tempo atrás custava 3 reais. 8 de março é o dia em que homens cínicos engrandecem seus egos pensando que estão fazendo grande coisa mandando textinho no whatsapp, comprando bombom e florzinha, mas que chegam em casa e dizem que mulher não pode isso, não deve aquilo, tem que fazer isso e usar aquilo.

 O dia da mulher é comemorado pela luta das mulheres, pelas grandes conquistas que não foram valorizadas. É o dia em que todos devemos por uma mão na consciência  e outra em pesquisas que nos mostram o porque desse dia, o porque do feminismo e o porque dessa realidade tão dolorosa para tantas mulheres no mundo inteiro.

FELIZ DIA DA MULHER MOÇAS, E QUE SIGA A LUTA. JUNTAS PODEMOS TUDO.