Mulher


É resistência. É sonhar alto. É correr atrás. Sorrir enquanto sangra. Chorar de tanto rir. É provar que é sim capaz. É ouvir muitos “nãos”. É ser duvidada e mesmo assim não desistir.

Gerar a vida. Mas de preferência quando ela decidir que quer. Viver corajosamente todos os dias sabendo de cada um dos riscos que corre.

É passar batom vermelho. É não passar nada. É dançar funk depois de ouvir Caetano. É escolher por não tirar os seus pêlos do corpo. É também preferir ficar sem nenhum.

É colocar uma casaco na cintura antes de sair de casa. É gritar com homem machista no meio da rua. É ter medo do que poderia ter acontecido com ela depois daquilo.

É lutar pelos seus direitos. É gritar a sua vontade. Nem sempre é sobre ser ouvida, e sim sobre mostrar que tem voz. E muita.

É mostrar para o que veio. É mostrar que vai ficar. É calar a boca de opressor. É deixar a sociedade de boca aberta pela união.

É gostar de cozinhar e ficar em casa. Ou então pode ser também gostar mesmo é de uma boa festa e muita cerveja.

É sobre ser mulher. Ser forte. Ser independente. E é difícil ser mulher.

Propagandas x Mulheres

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Já devo ter comentado por aqui que estou cursando publicidade e propaganda na faculdade. Muitas pessoas já me perguntaram, e até eu me pergunto as vezes, o que eu quero fazer com isso. Passei o ensino médio inteiro fazendo uma pesquisa sobre mídia e criticando os padrões de beleza e a objetificação da mulher no meio de entretenimento. Acredito que, querendo ou não, a publicidade é sim um meio de entretenimento, claro que com objetivos que vão além.

Mesmo com meu pensamento formado sobre o quão absurdas são algumas propagandas, resolvi que esse sim é o curso que eu quero estar. Acho que já falei pra vocês que eu acredito que cada um de nós deve fazer algo para melhorar o mundo em que vivemos, e sabe-se lá o porquê, mas acabei decidindo que eu posso e quero mudar certas coisas nas propagandas.

Só depois que as minhas aulas começaram eu descobri que, na verdade, na área de criação estão pouquíssimas mulheres. Ou seja: somos representadas por uma maioria masculina. E então surgem as propagandas de cervejas, carros, produtos de limpeza e outras tantas que nos utilizam como meras táticas de marketing. O Brasil é o país mais criativo no mundo da publicidade, mas ainda precisa melhorar muito.

Essas são três propagandas *péssimas* que apresentam mulheres:

“vídeo engraçado”??

 

 

Se você também não se sente representada nas propagandas que vê na televisão, internet, jornal e revistas, vem conversar comigo aqui nos comentários e me conta qual o pior comercial que você já viu com mulheres.

Pretendo falar mais sobre a publicidade por aqui (e no futuro canal do youtube), ok?! Beijos.

Cidades de Papel x 500 Dias Com Ela

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*PODE CONTER SPOILER*

Cidades de Papel já era um dos meus livros favoritos antes de sair o filme. Quando assisti o filme, logo ele se tornou um dos meus filmes favoritos, mas dessa vez por um motivo diferente.

 Não sei se foi por conta da minha idade quando li o livro, mas vendo o filme comecei a perceber coisas que ainda não tinha percebido. O livro se tornou o meu favorito pelo drama de Quentin ao procurar por Margo e ser rejeitado. O filme não, Quentin não é tão vítima assim. Passei a enxergar a história com outros olhos.

 Acredito que a maior parte das pessoas que leram ou assistiram o filme achou Margo uma grande filha da mãe, insensível e egoísta. Mas não é bem assim. Ela apenas estava sendo ela, não mudou suas convicções por homem nenhum, não desistiu da sua verdadeira essência. E eu admiro muito ela por isso. 

 O mesmo aconteceu na história de 500 Dias Com Ela. Summer só não queria um relacionamento sério com Tom. Custava entender isso? Ela com certeza não é uma vagabunda por deixar claro que, para ela, aquilo tudo estava sendo uma diversão temporária. Se o cara quis acreditar que mudaria a sua maneira de pensar, bom, nós não podemos fazer nada.

 Margo e Summer são humanas. Nem todo filme de romance vai terminar com um final feliz. Lide com isso. Não critique uma personagem por ter traços reais. É curioso pensar o quanto Quentin e Tom são defendidos por terem sido ingênuos. Mas é preciso perceber que: a vida segue após uma rejeição. 

 Nos dois filmes nós notamos características parecidas: Cidades de Papel – um menino apaixonado, uma menina autentica; o menino corre atrás dela por pensar que ela, ao saber que ele é apaixonado por ela, voltaria para casa e seriam felizes para sempre. 500 Dias Com Ela – um homem apaixonado, uma mulher independente; o homem culpa a moça por ela não querer um relacionamento com ele, mesmo tendo deixado isso claro desde o início da história.

 Porque isso é importante? 

 Não sei ao certo porque sinto que deveria estar falando sobre isso, mas percebi que Margo e Summer são tão reais, assim como Quentin e Tom. Nós, seres humanos, achamos que é dever dos outros gostar da gente da mesma maneira que gostamos deles, mas não é assim que as coisas acontecem. Não vitimize Quentin e Tom. Não xingue Margo e Summer.

 Essas duas personagens femininas representam grande parte das mulheres. As pessoas acham que toda boa moça quer ter um relacionamento sério com um cara legal, mas as vezes a boa moça só quer ficar sozinha e correr atrás dos seus sonhos sozinha. Os dois personagens masculinos representam grande parte, ainda, dos homens que culpam as companheiras por não quererem ter algo com eles. Elas só queriam se divertir, fazer o que tinham vontade. Porque as coisas precisam se complicar? Margo queria um aliado para sua aventura, não mais uma pessoa que poderia machucá-la. Summer só queria aproveitar o tempo que estava com Tom, sem se preocupar com o futuro, mas existe essa mania das pessoas de não conseguir viver o momento e estar sempre se pensando na frente. Elas só são culpadas por terem escolhido a felicidade delas ao invés de mudar todos os seus planos por um outro alguém. Com essa culpa todas nós deveríamos viver. 

E que nós possamos assistir mais filmes reais como estes ♥

8 de março – O Dia da Flor

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No dia 8 de março de 1857, mulheres que trabalhavam em uma fábrica de tecidos em New York reivindicavam por melhores condições de trabalho, como um salário equivalente ao dos homens, pois na época recebiam um terço do que eles recebiam. Naquele 8 de março o presente que ganharam pela luta foi um incêndio na fábrica com todas trancadas lá dentro. Mas espera. Pra que comemorar o dia da mulher, não é mesmo?  Só depois de 118 anos depois daquele 8 de março a ONU reconheceu a data que em 1910, em uma conferência na Dinamarca, teria sido decidido que o oito de março se tornaria o dia internacional da mulher.

 Durante um dia inteiro nós mulheres recebemos flores e chocolates. Ou pelo menos é a ideia que a mídia tenta passar, afinal não estamos na casa da cada mulher no mundo para ver o tamanho dos hematomas em seus corpos causados por “amor”, como diria algum jornal. Homens compram flores para suas esposas, mães, avós, filhas como se essas flores apagassem cada “volta pro tanque”, “vai lavar uma louça”, “parece uma puta com esse batom” dito nos outros dias do ano.

 O dia da mulher, querida grande mídia, é muito mais do que por um comercial emocionante de um pai e um filho comprando algum perfume/chocolate/sapatos/flores pra mãe. O dia da mulher é a marca da nossa luta diária por direitos básicos como poder andar na rua sem passar por olhares maliciosos só por estar usando um short, poder seguir uma carreira sem ser desvalorizada só por ser mulher, poder mandar no próprio corpo.

 Ainda existem homens que em pleno 2016 acham que essa data é mais um mimimi do feminismo. Que feminismo é vitimismo, ou pior: quer colocar a mulher acima do homem. As pessoas possuem uma facilidade enorme em julgar sem ao menos ler sobre o assunto, o que eu simplesmente acho uma habilidade incrível do ser humano. É extremamente doloroso ouvir argumentos tão sem sentido como: “se feminismo quer igualdade, porque o nome é feminismo?!”. As vezes, eu só queria entrar no cérebro de algumas pessoas e desligar o botãozinho do senso comum delas.

 Partes do corpo dissipadas. Gritos. Lágrimas.

 “Esconde esse olho roxo!”.

 “Ninguém mandou não se cuidar”.

 “Mas olha o tamanho da tua roupa! Não vai sair desse jeito!”.

 “Como que tu sabe que o filho é meu?! Dá pra todo mundo. Não é meu não”.

 “Te rala. Ninguém mandou engravidar. Vai ter a criança sim”.

 “Feliz dia da mulher, senhora. Toma aqui essa flor”.

 É mais ou menos assim que as coisas funcionam. Meninas de 10 anos grávidas, mas a culpa é delas, afinal. Não pode abortar. Homem se acha no direito de tocar no corpo da mulher sem consentimento e chama ela de mal educada se tem alguma reação de repúdio.

 O dia da mulher é muito mais do que agradecer pela mãezinha que lava a louça e lava as tuas cuecas. O dia da mulher é muito mais do que uma flor, que até pouco tempo atrás custava 3 reais. 8 de março é o dia em que homens cínicos engrandecem seus egos pensando que estão fazendo grande coisa mandando textinho no whatsapp, comprando bombom e florzinha, mas que chegam em casa e dizem que mulher não pode isso, não deve aquilo, tem que fazer isso e usar aquilo.

 O dia da mulher é comemorado pela luta das mulheres, pelas grandes conquistas que não foram valorizadas. É o dia em que todos devemos por uma mão na consciência  e outra em pesquisas que nos mostram o porque desse dia, o porque do feminismo e o porque dessa realidade tão dolorosa para tantas mulheres no mundo inteiro.

FELIZ DIA DA MULHER MOÇAS, E QUE SIGA A LUTA. JUNTAS PODEMOS TUDO.

Um Olhar Especial

ii

Os homens vistos pelas mulheres é algo surpreendente. Nós notamos o sorriso, olhos, mãos, voz, boca. As mulheres vistas pelos homens todos nós já sabemos como é pela primeira vez. Acho que ai está mais um diferencial que prova o quão avançadas nós somos. Não ligamos pro tamanho do braço nem pro tipo de cabelo. O sorriso já conquistou antes dela notar o tanquinho do cara. Dizer que nós não notamos a bunda é mentira, mas não tachamos homem nenhum pelo tamanho da bunda. Para nós, a bunda seria um bônus. Diferente deles. Não selecionamos com quem queremos nos envolver pela musculatura mais desenvolvida. Mulher vê as coisas de um jeito diferente, isso nós já sabemos. O que poucos sabem é que a mulher procura o que há de diferente em cada um que ela encontra por aí. Ela não quer sempre aquele que tem o carro do ano, nem que tenha mais curtidas nas suas fotos. Ela quer o que faz ela sorrir com mais leveza, que acalma ela com a sua voz.

 Falar sobre mulher é a coisa mais complicada que existe. Cada mulher é uma completamente diferente, com objetivos e visões absolutamente diferentes. É impossível dizer o que ela pensa de um homem na primeira vez que se encontram. Ela nota o tom de voz, o olhar, o toque, o riso. Ela nota cada detalhe, não fica apenas observando uma parte. Ela quer conhecer tudo.

 Talvez a magia nisso tudo seja isso: nós queremos os detalhes; Os homens querem uma ideia de mulher que em nem todas vão encontrar. Muitas vezes o homem não procura a mulher real. Ele acha que a vida é formada de Verões como a da propaganda de cerveja. A mulher não. Ela tem real convicção de que existem vários homens como o Caio Castro mas que existem outros vários como aquele cara que ela viu na livraria. E nem sempre ela quer o Caio Castro. Muitas vezes ela quer o cara da livraria porque ela quer simplesmente um cara como o da livraria.

 Não procuramos o homem ideal. O homem ideal existe de acordo com o que somos e o que queremos para as nossas vidas em tal momento que estamos vivendo. Se ela quer uma aventura, ela vai procurar no teu olhar toda a aventura que você pode proporcionar para ela. Se ela quer um romance, ela vai procurar no teu perfume um cheiro pra ela ficar lembrando todas as noites antes de dormir. Se ela quer apenas um beijo, ela vai ver no teu sorriso o quanto esse beijo valeria a pena. Se ela não quer nada, sinto muito, isso não significa que ela terá algo marcante para pensar a seu respeito depois daquela breve conversa de cinco minutos na fila do mercado.

 Depois da primeira conversa muitas coisas podem acontecer, como também podem não acontecer. Mulher é uma caixinha de surpresas e é importante que todo mundo saiba disso. Se um dia ela acordar querendo uma coisa, ainda existem chances de ela ir dormir querendo outra. Ela não vê nada em especial e nada específico, ela procura o que há de especial. Tá ai a diferença.