Outro Texto

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Não queria começar esse texto falando que é estranho tal sentimento. Tenho a sensação que já comecei um texto assim antes. Então, vou começar falando que é completamente normal isso tudo.

Pausa para estalar os dedos. Respira.

Os meus dedos ficam saltitando pelo teclado rapidamente. Eu sei que estou sentindo alguma coisa, mas não sei o que é. Talvez eu só esteja na tpm mesmo. Ou talvez eu tenha levado muito a sério o que a Carla disse na sexta feira sobre já fazer um ano que terminou o namoro. Também faz um ano desde que eu terminei o meu namoro. Muitas coisas aconteceram. As vezes eu me pego lembrando de certos momentos. Mas tudo bem, é normal. Por favor, me digam que é.

Ontem eu sai. Fui em uma festa, para ser mais específica -esse texto tá começando a ficar “meu querido diário”. Não tinha lavado o cabelo e eu sinto que a Heloisa me julgou por isso. Também estava de salto alto e com certeza teve gente que me julgou lá dentro por isso. Fiquei boa parte do tempo no celular, até que um estranho apareceu se julgando capaz de me tirar da segunda tela e viver a tela da vida real. Acho que na verdade, eu só queria poder falar com alguém e sentir que essa pessoa também queria falar comigo. O problema é que eu sempre fico esperando que isso aconteça com as pessoas erradas.

Também pensei em começar o texto falando sobre saudades. Só que eu não sei de que. Provavelmente esse seja o sentimento estranho que eu tava falando.

Eu aperto o botão de desbloqueio do meu celular constantemente para ver se recebi alguma mensagem. Quando recebo, a sensação de vazio continua a mesma. Ok. Agora eu tô achando que isso tudo é culpa da quantidade de indie que tocou no Margot ontem. Talvez eu não devesse ter cantado tão enlouquecidamente Are You Mine e muito menos performado Call Me Maybe com tanta nostalgia no peito.

Não tenho mais unhas para roer e nem coragem de continuar tentando. Queria poder terminar esse texto completando o máximo das caracteres com a frase que mais me define no momento: “tá foda”. Mas não posso. Talvez a minha mãe leia isso daqui qualquer dia desses.

Eu sei do que eu sinto saudades. Não é de ter alguém, nem de me entregar a alguém. A saudade é de abraçar alguém e saber que essa pessoa se sente bem por isso.

Quero um caso de uma noite que me faça suspirar no dia seguinte lembrando de cada segundo, mas também quero uma pessoa para tomar um café e ouvir música junto numa quarta feira. Não me entendam mal, só que minha vênus é em sagitário mas eu ainda fico em crise quando vejo filmes de romances que não deram certo.

Terminei de assistir La La Land e resolvi escrever aqui. Não que isso signifique muita coisa. Mas significa.

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Crise dos quase 20

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Que escândalo, Mariana. Acabou de fazer 18 anos e já tá reclamando do tempo.

Exato. 18 anos na cara e já tô tendo aquela crise.

Ontem entrei na Saraiva do Praia de Belas com a minha mãe, sentamos e tomamos um café no Shakespeare Café. Não é novo, mas também não é muito velho. Que nem eu.

Por acaso comecei a lembrar das primeiras vezes que entrei naquela livraria e como eu falava todas as vezes que na minha futura casa iria ter uma parede cheia de livros. Lembrei que ficava horas ouvindo Jonas Brothers, Selena Gomez e Miley Cyrus no fone de ouvido, quase morria do coração quando encontrava cd deles pra vender – mesmo sabendo que obviamente teriam os álbuns deles ali.

Enquanto comia minha empada de frango dizia para a minha mãe o quanto eu quero um estágio. Antes eu só entrava lá pensando em quantos livros levaria para casa e se algum dia eu descobriria quem é “A” de Pretty Little Liars.

Sinto tanta falta desse tempo. Quando eu tinha 13 anos, discutia PLL com a Carol na sala de aula, me esforçava para tirar 9 em matemática e ainda sobrava tempo para ficar horas e horas no Tumblr.

Entre um gole e outro do meu suco natural de laranja – sim, o café de verdade só quando esse calor de Porto Alegre passar, por favor – minha mãe leu uma publicação do Facebook que perguntava se eu escolheria poder tomar uma pílula que voltasse no tempo ou uma aquela que me daria dez milhões de reais. Não vamos romantizar, eu escolhi a grana. Afinal, só conseguia pensar na minha necessidade de um estágio. Mas se eu pudesse realmente escolher, teria tomado a pílula que volta no tempo. Quero poder ir em outro show dos Jonas Brothers, chorar abraçada na Thaynah depois e pedir desculpas por ter deixado ela com dor nas costas. Quero poder ficar o dia inteiro lendo e imaginando como seria sensacional poder lançar um livro também. Quero poder sonhar mais ao invés de estar o tempo inteiro pensando em soluções.

Infelizmente não posso escolher mais isso. A realidade me deu um tapa na cara quando minha mãe perguntou porque diabos eu não procurei nenhum livro sobre publicidade ou marketing enquanto estava lá dentro. Na verdade eu só estava respirando fundo e lembrando como era bom entrar ali sem nenhum peso nos ombros.

A primeira crise dos 20 aconteceu com 18, enquanto escuto todos os cds dos Jonas Brothers de novo enlouquecidamente no quarto. Imagina como não vai ser quando os 20 de fato chegarem.