Onze anos depois


Quando duas garotas de sete anos resolvem que passarão o intervalo juntas e dividirão o lanche, nada mais separa. Nós não nos separamos, pelo menos. Não como imaginam.

Com sete anos descobri a minha parceira principal pro resto da vida. Nós construímos um clubinho em um canto atrás da cantina, transformamos aquela escola em uma grande fantasia cor de rosa. Imaginamos nossos netos juntos e choramos de rir quando nos demos conta de que quando essa hora chegasse estaríamos usando grandes calçolas.

As primeiras paixões, ilusões, planos para ir no cinema com o menino que gostávamos. Os primeiros beijos e namoros. A primeira viagem juntas e os tantos vídeos dos melhores momentos.

Quando mudei de escola pensamos que seria o fim. Porém a vida nos mostrou que não. Com tantas coisas acontecendo na vida uma da outra, sempre demos um jeito de nos mantermos informadas e dando conselhos quando necessário.

O amor é o mesmo. A disposição de conversar sobre qualquer que seja o assunto. As risadas como se nada tivesse mudado. Como se ontem estivéssemos planejando nossas festas de 15 anos juntas que nunca aconteceu.

A saudade aperta o coração. Seguidamente.

Amizade de colégio nem sempre dura, mas nós não vamos permitir que isso seja regra. Sempre odiamos as regras da escola mesmo, não vai ser essa que vamos aprovar.

Cada uma seguiu para um lado. Eu na comunicação social, ela começou a faculdade de nutrição. Quando tive meu primeiro dia de aula na filosofia ela me acompanhou e agora eu estive por horas falando sobre o quão bizarro é o primeiro dia de aula. Ela estava nervosa, tenho certeza. Mas eu fiquei feliz por ter estado presente, mesmo não fisicamente, em mais essa etapa da vida dela.

Hoje nossa amizade faz 11 anos de vida. Pelo menos foi esse o dia que a gente decidiu que seria o nosso aniversário. Quem sabe não sai aquela festa que eu disse antes quando chegarmos nos quinze…

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Zona de conforto


As vezes me pego pensando em quando eu troquei de escola. Vivi 8 anos da minha vida com pessoas incríveis e quando chegou o momento de me despedir foi mais difícil do que eu imaginei.

Depois disso acabei conhecendo pessoas tão incríveis quanto e sorrindo na mesma intensidade. Cresci – e muito – na escola nova. Minha forma de ver o mundo, meu jeito de me expressar e até mesmo as playlists que faziam parte dos meus dias.

Aprendi que não posso me privar de viver o agora porque ainda sinto falta do que já passou. Tive que me acostumar, e vou te contar que foi complicado no começo, mas depois, como diria um professor de biologia, foi só alegria. E é só alegria ainda.

Reencontrei muitas daquelas pessoas que deixei pra trás na antiga escola com o tempo. Escutei de um ex colega que ele não tava me reconhecendo. Ele disse que nunca pensou que eu estaria dançando funk ou rindo abraçada em gente que acabei de conhecer.

Agora pode parecer que o texto é sobre o quão grata eu sou por ter me entregado ao funk. O que pode ser também, mas estou tentando falar outras coisas junto.

Felizmente eu mudei. E quero continuar mudando. No início disso tudo eu tive medo. Não queria que nada mudasse, e muito menos eu mesma. Hoje eu agradeço a qualquer força superior ou simplesmente ao acaso por eu ter me permitido tantas experiências.

Nós não devemos jamais nos privarmos do novo por estarmos na zona de conforto. Quando eu sai dela percebi que fora as coisas são mais animadas.

Nada acontece sem alguma razão. E é vivendo que nós encontramos ela.

Adeus, Ensino Médio

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 Quando troquei de escola pensava que não iria me adaptar. Pensava que iria repetir de ano e todos os dias eram dias de choro em casa pedindo pra voltar pra escola antiga. Afinal, tinha passado oito anos da minha vida com aquelas mesmas pessoas dentro de uma sala de aula, os professores não mudavam e eu só tinha que me preocupar com as simples provas que teria no final do mês. Mudar pra uma escola nova significa ter que fazer novos amigos, se adaptar com novas regras, novas aulas, aprender a lidar com novos professores, e eu simplesmente não queria nada disso.

 Os meses foram passando e eu fui conhecendo gente nova. Gente que me fez muito bem, que me ensinou muitas coisas e me permitiu ensinar muitas coisas também. Fiz amigas que estavam prontas para me ajudar em qualquer perrengue e que sempre riam das minhas idiotices. Criei laços com professores que sempre estiveram dispostos a me ajudar não apenas nos conteúdos, mas também nas lições que teria que levar para a vida.

 Logo no meu primeiro ano na escola nova eu aprendi a lidar comigo mesma. Perdi meus medos de falar com gente diferente do meu circulo de amizades, perdi a insegurança em conhecer de verdade pessoas novas e deixar com que essas pessoas me conhecessem também. Aprendi não só logaritmos ou reações endo e exo, aprendi a conviver com pessoas diferentes. Aprendi também que todos nós temos os nossos medos, e eu estive disposta nesses três anos de ensino médio para ouvir e ajudar cada pessoa que conquistou o seu lugar no meu coração a superar os seus medos e aprender com eles. No final das contas, eu aprendi ainda mais com cada uma dessas pessoas.

 Eu não sou mais aquela menina de 14 anos que entrou em uma escola sem conhecer ninguém e se escondendo, sem querer chamar atenção. Não, eu ainda não quero chamar atenção, mas hoje já não me escondo mais porque se tem uma coisa que eu aprendi é que todas as pessoas possuem uma história e eu quero poder ouvir o máximo possível delas. Hoje eu sou uma menina de 17 anos prestes a entrar na faculdade e que ainda não sabe nada da vida, mas que com certeza quer conhecer cada segredo dela.

 O mundo não é um lugar justo, e isso eu aprendi no ensino médio. Descobri que amar o próximo não são apenas palavras que ficamos falando em uma sala de aula sem agir. Amar o próximo é lutar diariamente pela dignidade da outra pessoa que não é concedida. Amar o próximo é respeitar as diferenças, afinal por dentro somos todos iguais. Amar o próximo é mais do que simplesmente falar, é agir.

 O Ensino Médio não é só festas, drogas, bebidas. Para muitos, nem é isso. Ensino Médio é aprender a cada dia o valor das nossas vidas e querer aproveitar cada segundo, porque o tempo não volta e tudo o que fica são memórias. O Ensino Médio serve para auto conhecimento, conhecimentos sobre o mundo e sobre a vida. Conhecimento para a vida. Conhecimentos trazidos pela vida. Ensino Médio é muito mais do que brigas fúteis, contagem de número de likes ou uma simples disputa sobre quem é mais bonit@.

 O meu Ensino Médio foi marcado por muito mais do que meros conhecimentos didáticos. Muito mais do que 50 minutos em cada aula. Ele foi marcado de frases, momentos, risadas, gritos e muita música. Foi marcado com aprendizados além do que o google pode explicar. Aprendizados que apenas uma outra pessoa pode nos proporcionar.

 E é isso o que me faz ficar feliz por esse tempo que estive no Padre Reus. Quando eu cheguei não queria ficar, mas agora eu não quero ter que dizer adeus. Apesar de saber que não vou perder os laços que criei, é doloroso pensar que não vou mais ter as minhas manhãs divididas com pessoas tão especiais em um lugar tão especial. Mesmo com os momentos ruins, tudo foi importante e eu não mudaria um dia se quer desses últimos três anos. Posso dizer claramente que sou quem sou hoje por conta de todas as pessoas que me rodearam nesses anos e eu sou muito grata por isso. Tenho orgulho da pessoa que o Padre Reus me tornou e torna os seus alunos.

 A saudade vai bater, o meu coração vai apertar e todos os momentos que eu vivi nessa escola vão voltar como flashes. E então eu vou pensar o quanto foi bom esse tempo, estar com aquelas pessoas e não vou querer que acabe. É difícil pensar que de uma hora para a outra as coisas simplesmente têm um fim. A gente se acostuma tanto com tudo isso que depois, não quer que acabe. Mas uma hora precisa acabar e nós precisamos começar coisas novas. A gratidão é o que fica por esses três anos.

Não Vai Acabar

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A gente sente falta do sorriso, da boca, das covinhas. Sente falta do cheiro do cabelo, do conforto do ombro e das mãos sempre firmes. Não tem mais as bochechas pra apertar, nem os braços para agarrar. A gente chora lembrando daquela voz e tentando entender o motivo das coisas estarem assim agora.

 Todas as coisas boas que passamos juntos, cada riso misturado e lágrimas derramadas. Cada beijo, cada amasso. Cada coisa de todas as coisas que aconteceram machucam agora. Machucam por estarem nesse passado tão longe do presente. Machucam por simplesmente não acontecerem mais. O pretérito perfeito não é tão perfeito afinal. Seria perfeito se fosse agora, o tempo inteiro. Se não precisássemos ficar pensando o porque de não termos mais aquela pessoa do nosso lado. Se a pessoa estivesse aqui agora, simplesmente.

 O choro durante a noite é liberado. Mas te ver na escola e não poder sair pulando pros teus braços é o que mais corrói. Não existe chance alguma de aceitar que em algum momento nós deixamos todas as coisas boas para trás, para agora sentirmos em todos os momentos saudades. Porque nós resolvemos cair fora afinal?

 Foram tantos momentos de paz e alegria. Só de ouvir a tua voz as coisas ficam melhores. As brigas existiram sim, e até delas o coração sente saudade. Saudades do timbre da tua voz, do calor do teu corpo, do teu sorriso de lado.

 A saudade vai permanecer sempre que você sair. E vai ser para sempre assim. Existe algo entre nós que não vai deixar nada acabar permanentemente. Existe algo que me faz acreditar que as coisas vão melhorar e as nossas mãos vão se encontrar de novo no meio da multidão. Existe algo que me faz acreditar que o futuro está guardando para nós algo melhor, algo como o nosso passado que ainda vai se estender por toda a vida.

 O amor permanecerá, e enquanto ele estiver aqui eu também vou estar. De corpo, alma e coração. A saudade vai apertar todos os dias enquanto você não estiver ao meu lado. Não que eu precise, mas as coisas são muito melhores com você aqui. Não que eu queira, mas ter você ao meu lado é o que me faz feliz. Poder contar a nossa história me faz feliz, porque em cada vírgula dessa história eu fui feliz. E sei que a cada capítulo que ainda vai vir, eu vou ser ainda mais.

Para Eduardo Ribas

dudu

Oi Dudu, tudo bem? Não sei se tu pode me escutar, mas eu queria falar umas coisas… Acho que há uns cinco anos, pra mais, tem toda aquela função de ano novo na praia né? Churrasco, muito doce, teus pagodes. Toda passagem de ano já era comemorada em uns três dias antes até a hora da virada. Todo mundo junto, rindo e conversando. Os guris já ficavam alegres quando a Julinha chegava na casa da Tia Nara falando que tu chegou. Tu sempre espalhou muita alegria quando tu chegava. 

 Quando me deram a notícia hoje eu levei um tempo pra entender. Entender que não tu não vai mais chegar contando as tuas histórias na praia e que não vai mais ficar todo mundo dentro de casa escutando tu e os teus amigos tocando música. Entender que as tuas conversas sérias de trabalho com os homens da casa não vão mais virar em piada em alguns segundos.

 Eu, que não sou de nenhum lado da família de vocês, sempre estranhei quando uma pessoa se quer não estivesse junto no ano novo na praia. As fotos na frente da casa, a demora pra acertar o modo da câmera. Pô Dudu, tu vai fazer falta nos verões.

 É estranho ver a vida desse jeito. Dizem que quando chega a nossa hora, chegou. Não tem o que fazer. Não sei bem o que pensar mais. É completamente confuso parar pra pensar o que a gente ta fazendo nesse mundo que muitas vezes nós não nos encaixamos. A vida, talvez, seja pra gente simplesmente aproveitar, sem mau humor, sem preconceitos. Nós devemos sorrir todos os dias e fazer com que outras pessoas sorriam também. Eu sei que tu fez isso.

 A única parte bonita desse dia foi que todas as vezes que eu lembrei de ti, eu sorri lembrando das tuas risadas e de todas as risadas que tu nos proporcionou enquanto esteve por perto. Sou muito grata por ter tido a chance de te conhecer, assim como todos os teus amigos, parentes e conhecidos são. Gratidão é a primeira coisa que me vem na cabeça quando falam o teu nome. Saber que tu foi esse cara tão incrível pra tantas pessoas me faz pensar que a partir de hoje, tu vai fazer outras pessoas também darem gargalhadas ai onde tu tá agora.

 Tu viveu entre muitos sorrisos e quem viveu do teu lado teve a chance de participar disso. Vá em paz Dudu, e vê o que tu consegue fazer dai onde tu estiver agora pra mandar um pouco de paz pra quem ficou aqui.