Entendendo signos e outras coisas

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Ela não entende muito de signos, mas adora quando falam bem do dela. Também não sabe nada de futebol e mesmo assim insiste em comemorar quando o time vence alguma partida. Aprendeu a fazer café no estágio porque tem um cartaz com os passos colado do lado da cafeteira. E ela também aprendeu que precisa se dedicar mais a si mesma e focar nos seus objetivos.

As vezes sai do banho dançando enrolada na toalha enquanto ouve Chico. Em outras, sai segurando as lágrimas que sobraram depois de vinte minutos em baixo d’água.

Descobriu que pode pintar o cabelo de ruivo sem julgar a si mesma por não estar com a cor natural. Ela também descobriu que a vida é uma puta, mas ela ama as putas e a vida também. De vez em quando ela até pensa em ser a puta. Na maioria das vezes ela é.

Ela tem medo de ser motivo das lágrimas de alguém e esquece que já teve outras pessoas em suas próprias lágrimas. Se assusta com as situações em que é colocada mesmo sabendo que é tão natural quanto o choro ao assistir os comerciais de Natal. Tenta refletir e aprender com tudo, até que se encontra com aquele aperto no peito tudo de novo.

Quando pensa que sabe, descobre que ainda há mais para chegar na verdade. Procura pela verdade e se depara com insegurança. Diz que tá tudo bem quando não está e faz piada sobre estar na pior quando na verdade vai tudo bem por ali. Gosta de ver que tem gente que se preocupa com ela, mas só espera que esse sentimento seja natural. Quer mais consideração das pessoas. Espera por uma mensagem com explicações que já imagina ter.

Admira quem se importa. Se importa com quem admira. Vive em um ciclo de reciprocidade que as vezes parece só existir na sua cabeça. Fala que está cansada de gente vazia quando na verdade o que mais deseja é se esvaziar por completo de seus pensamentos.

Ela tem um discurso pronto sobre príncipes encantados, mas no fundo espera ser surpreendida pela vida. Aquela mesma vida que ela considera uma puta. Como se houvesse outra. Isso ela quer descobrir também.

Sente que tem tanto a falar a ponto de só conseguir colocar no papel. A ponto de sentir vontade de chorar quando precisa aumentar o tom de voz para ser ouvida. Não entende o egoísmo alheio e se sente menor ainda quando tentam diminui-la.

Ela só procura pela paz. Paz no trabalho, em casa, na faculdade e nas relações. Paz no coração e na mente. Quer ter convicção de que depois de tudo nada terá sido inútil como acredita que pode ser.

Ela é de sagitário, ascendente é gêmeos, lua em aquário e não faz ideia do que isso significa. Mas sabe que conforme segue a vida, vai descobrindo mais coisas. E tem fé de que entenda isso também, além de todas aquelas outras coisas que guarda no coração.

UM ANO de novo

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Há um ano atrás tudo mudou de novo. O que eu vivi no ensino médio já estava só na memória, assim como algumas pessoas que passaram a ser apenas partes bonitas das fotografias da minha adolescência. Posso dizer que arrisquei bastante, de certa forma, naquele tempo. Troquei de escola, fiz novas amizades, iniciei meu namoro. Mas já estava na hora de um novo plot twist na minha vida.

Comecei a faculdade, terminei meu namoro e sobrevivi a um semestre tendo aulas de lógica na Filosofia. Até que não foi tão ruim assim, afinal. Aprendi sobre premissas e quais argumentos eram realmente válidos para determinadas conclusões. Ainda acredito que as que usamos foram válidas. E na nossa conclusão? Foi boa também.

Pensei que não aguentaria, que voltaria atrás de tudo o que disse e sentia. Pensei que nunca fosse encontrar outra pessoa. E eu também pensei que fosse me preocupar caso não encontrasse. No final das contas encontrei a melhor pessoa que poderia procurar: eu mesma.

Fui atrás dos meus sonhos, me concentrei no que eu realmente quero. Repensei minhas atitudes de dois anos atrás. Me perguntei porque disse “sim” e descobri que eu ainda vivia com meu complexo de príncipe encantado. Olhei fotos antigas e senti falta de quem me afastei por insegurança. Desfiz meus conceitos de muitas coisas que antes pensei serem completamente verdadeiras.

Amadureci, no final das contas. Era exatamente o que eu queria e precisava.

No sábado passado comemorei meu aniversário de um ano de solteira. Não que eu estivesse contando os dias. Nem que eu ainda sinta falta. E não, não que o namoro tenha sido ruim assim. Só é bom poder comemorar este tempo em que eu me encontrei e comecei a fazer mais por mim, além de tudo o que já fiz por outra pessoa.

 

Outro Texto

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Não queria começar esse texto falando que é estranho tal sentimento. Tenho a sensação que já comecei um texto assim antes. Então, vou começar falando que é completamente normal isso tudo.

Pausa para estalar os dedos. Respira.

Os meus dedos ficam saltitando pelo teclado rapidamente. Eu sei que estou sentindo alguma coisa, mas não sei o que é. Talvez eu só esteja na tpm mesmo. Ou talvez eu tenha levado muito a sério o que a Carla disse na sexta feira sobre já fazer um ano que terminou o namoro. Também faz um ano desde que eu terminei o meu namoro. Muitas coisas aconteceram. As vezes eu me pego lembrando de certos momentos. Mas tudo bem, é normal. Por favor, me digam que é.

Ontem eu sai. Fui em uma festa, para ser mais específica -esse texto tá começando a ficar “meu querido diário”. Não tinha lavado o cabelo e eu sinto que a Heloisa me julgou por isso. Também estava de salto alto e com certeza teve gente que me julgou lá dentro por isso. Fiquei boa parte do tempo no celular, até que um estranho apareceu se julgando capaz de me tirar da segunda tela e viver a tela da vida real. Acho que na verdade, eu só queria poder falar com alguém e sentir que essa pessoa também queria falar comigo. O problema é que eu sempre fico esperando que isso aconteça com as pessoas erradas.

Também pensei em começar o texto falando sobre saudades. Só que eu não sei de que. Provavelmente esse seja o sentimento estranho que eu tava falando.

Eu aperto o botão de desbloqueio do meu celular constantemente para ver se recebi alguma mensagem. Quando recebo, a sensação de vazio continua a mesma. Ok. Agora eu tô achando que isso tudo é culpa da quantidade de indie que tocou no Margot ontem. Talvez eu não devesse ter cantado tão enlouquecidamente Are You Mine e muito menos performado Call Me Maybe com tanta nostalgia no peito.

Não tenho mais unhas para roer e nem coragem de continuar tentando. Queria poder terminar esse texto completando o máximo das caracteres com a frase que mais me define no momento: “tá foda”. Mas não posso. Talvez a minha mãe leia isso daqui qualquer dia desses.

Eu sei do que eu sinto saudades. Não é de ter alguém, nem de me entregar a alguém. A saudade é de abraçar alguém e saber que essa pessoa se sente bem por isso.

Quero um caso de uma noite que me faça suspirar no dia seguinte lembrando de cada segundo, mas também quero uma pessoa para tomar um café e ouvir música junto numa quarta feira. Não me entendam mal, só que minha vênus é em sagitário mas eu ainda fico em crise quando vejo filmes de romances que não deram certo.

Terminei de assistir La La Land e resolvi escrever aqui. Não que isso signifique muita coisa. Mas significa.

Onze anos depois


Quando duas garotas de sete anos resolvem que passarão o intervalo juntas e dividirão o lanche, nada mais separa. Nós não nos separamos, pelo menos. Não como imaginam.

Com sete anos descobri a minha parceira principal pro resto da vida. Nós construímos um clubinho em um canto atrás da cantina, transformamos aquela escola em uma grande fantasia cor de rosa. Imaginamos nossos netos juntos e choramos de rir quando nos demos conta de que quando essa hora chegasse estaríamos usando grandes calçolas.

As primeiras paixões, ilusões, planos para ir no cinema com o menino que gostávamos. Os primeiros beijos e namoros. A primeira viagem juntas e os tantos vídeos dos melhores momentos.

Quando mudei de escola pensamos que seria o fim. Porém a vida nos mostrou que não. Com tantas coisas acontecendo na vida uma da outra, sempre demos um jeito de nos mantermos informadas e dando conselhos quando necessário.

O amor é o mesmo. A disposição de conversar sobre qualquer que seja o assunto. As risadas como se nada tivesse mudado. Como se ontem estivéssemos planejando nossas festas de 15 anos juntas que nunca aconteceu.

A saudade aperta o coração. Seguidamente.

Amizade de colégio nem sempre dura, mas nós não vamos permitir que isso seja regra. Sempre odiamos as regras da escola mesmo, não vai ser essa que vamos aprovar.

Cada uma seguiu para um lado. Eu na comunicação social, ela começou a faculdade de nutrição. Quando tive meu primeiro dia de aula na filosofia ela me acompanhou e agora eu estive por horas falando sobre o quão bizarro é o primeiro dia de aula. Ela estava nervosa, tenho certeza. Mas eu fiquei feliz por ter estado presente, mesmo não fisicamente, em mais essa etapa da vida dela.

Hoje nossa amizade faz 11 anos de vida. Pelo menos foi esse o dia que a gente decidiu que seria o nosso aniversário. Quem sabe não sai aquela festa que eu disse antes quando chegarmos nos quinze…

Zona de conforto


As vezes me pego pensando em quando eu troquei de escola. Vivi 8 anos da minha vida com pessoas incríveis e quando chegou o momento de me despedir foi mais difícil do que eu imaginei.

Depois disso acabei conhecendo pessoas tão incríveis quanto e sorrindo na mesma intensidade. Cresci – e muito – na escola nova. Minha forma de ver o mundo, meu jeito de me expressar e até mesmo as playlists que faziam parte dos meus dias.

Aprendi que não posso me privar de viver o agora porque ainda sinto falta do que já passou. Tive que me acostumar, e vou te contar que foi complicado no começo, mas depois, como diria um professor de biologia, foi só alegria. E é só alegria ainda.

Reencontrei muitas daquelas pessoas que deixei pra trás na antiga escola com o tempo. Escutei de um ex colega que ele não tava me reconhecendo. Ele disse que nunca pensou que eu estaria dançando funk ou rindo abraçada em gente que acabei de conhecer.

Agora pode parecer que o texto é sobre o quão grata eu sou por ter me entregado ao funk. O que pode ser também, mas estou tentando falar outras coisas junto.

Felizmente eu mudei. E quero continuar mudando. No início disso tudo eu tive medo. Não queria que nada mudasse, e muito menos eu mesma. Hoje eu agradeço a qualquer força superior ou simplesmente ao acaso por eu ter me permitido tantas experiências.

Nós não devemos jamais nos privarmos do novo por estarmos na zona de conforto. Quando eu sai dela percebi que fora as coisas são mais animadas.

Nada acontece sem alguma razão. E é vivendo que nós encontramos ela.

Crise dos quase 20

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Que escândalo, Mariana. Acabou de fazer 18 anos e já tá reclamando do tempo.

Exato. 18 anos na cara e já tô tendo aquela crise.

Ontem entrei na Saraiva do Praia de Belas com a minha mãe, sentamos e tomamos um café no Shakespeare Café. Não é novo, mas também não é muito velho. Que nem eu.

Por acaso comecei a lembrar das primeiras vezes que entrei naquela livraria e como eu falava todas as vezes que na minha futura casa iria ter uma parede cheia de livros. Lembrei que ficava horas ouvindo Jonas Brothers, Selena Gomez e Miley Cyrus no fone de ouvido, quase morria do coração quando encontrava cd deles pra vender – mesmo sabendo que obviamente teriam os álbuns deles ali.

Enquanto comia minha empada de frango dizia para a minha mãe o quanto eu quero um estágio. Antes eu só entrava lá pensando em quantos livros levaria para casa e se algum dia eu descobriria quem é “A” de Pretty Little Liars.

Sinto tanta falta desse tempo. Quando eu tinha 13 anos, discutia PLL com a Carol na sala de aula, me esforçava para tirar 9 em matemática e ainda sobrava tempo para ficar horas e horas no Tumblr.

Entre um gole e outro do meu suco natural de laranja – sim, o café de verdade só quando esse calor de Porto Alegre passar, por favor – minha mãe leu uma publicação do Facebook que perguntava se eu escolheria poder tomar uma pílula que voltasse no tempo ou uma aquela que me daria dez milhões de reais. Não vamos romantizar, eu escolhi a grana. Afinal, só conseguia pensar na minha necessidade de um estágio. Mas se eu pudesse realmente escolher, teria tomado a pílula que volta no tempo. Quero poder ir em outro show dos Jonas Brothers, chorar abraçada na Thaynah depois e pedir desculpas por ter deixado ela com dor nas costas. Quero poder ficar o dia inteiro lendo e imaginando como seria sensacional poder lançar um livro também. Quero poder sonhar mais ao invés de estar o tempo inteiro pensando em soluções.

Infelizmente não posso escolher mais isso. A realidade me deu um tapa na cara quando minha mãe perguntou porque diabos eu não procurei nenhum livro sobre publicidade ou marketing enquanto estava lá dentro. Na verdade eu só estava respirando fundo e lembrando como era bom entrar ali sem nenhum peso nos ombros.

A primeira crise dos 20 aconteceu com 18, enquanto escuto todos os cds dos Jonas Brothers de novo enlouquecidamente no quarto. Imagina como não vai ser quando os 20 de fato chegarem.

Uma restrospectiva

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Nesse ano muita coisa aconteceu. Entrei na faculdade depois de chorar muito por quase não entrar. Terminei o meu namoro. Conheci as melhores mulheres que a pucrs pode te apresentar. Fui no Russo. Troquei de curso. Cortei o cabelo o mais curto que eu jamais cortei por livre e espontânea vontade. Viajei sozinha. Conheci a música latina. Voltei pro judô. Depois disso eu larguei o judô de novo.

Sorri, chorei, ri. Atravessei a faculdade em uma corrida com minha amiga na chuva. Vi a Famecos ser ocupada e achei maravilhoso. Não peguei G2. Amém.

O curso novo na faculdade é a tal da publicidade e propaganda. Ainda não morri de fome por estar fazendo isso da vida, mas estamos quase lá. Não que isso importe muito no final das contas.

Eu também parei de ler e eu não me orgulho disso. Parei de escrever. Sinceramente, eu não sei o que que se passou na minha cabeça. As coisas vão mudar em 2017, eu prometo. Não todas, só isso mesmo.

Descobri que ficar solteira é maravilhoso. Não, eu não tô falando sobre poder beijar muitas bocas. O fato de estar sozinha consigo mesma é MARAVILHOSO. E tenho dito.

Também desconstruí conceitos formados nos outros e em mim mesma. Aprendi muito. Eu me permiti a isso.

Percebi que meu problema de visão atrapalha muito pra tirar fotos, o que se tornou um grande problema na minha vida. Também aprendi a conviver com o meu pé feio. O próximo passo é aprender a amar os olhos caídos.

Fiz uma camiseta feia pra minha amiga e ela mentiu dizendo que amou. Eu menti dizendo que acreditei.

Fui no show do Maroom 5 e da Clarice Falcão. Porto Alegre tava pobre de show esse ano. Boatos que em abril tem Adele, tô esperando.

AH, eu fiz 18 anos também. Agora quando dizem que tenho 13 eu mostro a minha identidade.

Criei o meu canal no youtube e ainda não sei o que eu sinto sobre isso. Terminei Gossip Girl, Orange e Narcos. Eu fui fraca com as séries nesse ano. Em 2017 a gente melhora.

2016 foi um bom e ruim ano. Cada um entende o que quer.

Agora chegou a hora das fotos